Fly Blackbird - More than a surfboard

 "Patterns? Rules? Norms? No way. Just like surf, this piece is free and unequal."

"Padrões? Regras? Normas? Nem pensar. Tal como o surf, esta obra é livre e desigual."

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In 2015 the surf culture received a valuable contribution in the literature area. The name is Fly Black Bird More Than a Surfboard and i tis a books – part of a Project with the same name – that glues you to it from the first to the last pages. As much of a cliché as this expression is we use it in its full literal sense.

But after all what does the book that Pedro Falcão brought to the most enthusiast readers and Portuguese or foreigners soul surfers contain? First of all, content. And yes, it may seem a pleonasm, mas it isn’t. This is a literary piece that contains content – true, interesting and that adds value, presents projects and people, introduces themes and does that in an original and creative way. We congratulate the author for having taken the initiative, something that was missing to the Portuguese surf community. Physical content with cultural, historical and actual elements that are neglected because the attention is where the spotlights are and not where the creation, the passion and the commitment are.  

Patterns? Rules? Norms? No way. Just like surf, this piece is free and unequal. It isn’t perfect. It doesn’t follow a template and each in page we flick through we can find differences. They jump at you, they mesmerise you and leave you anxious for more and more. Not even the paper is the same, so even through touch there are stimulations for the reader. We feel the grams, we observe the bright and the colours and we interiorize the content.

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Em 2015, a cultura de surf recebeu um contributo valioso na área da literatura. O nome é Fly Black Bird More Than a Surfboard e é um livro – parte integrante de um projeto com o mesmo nome – que agarra da primeira à última página. Por muito cliché que esta expressão seja, empregamo-la aqui em todo o seu sentido literal.

Mas afinal o que contém o livro com que Pedro Falcão presenteou os leitores ávidos e os soul surfers portugueses e estrangeiros? Antes de mais conteúdo. E sim, pode parecer pleonasmo, mas não é. Esta é uma obra literária que contém conteúdo – verdadeiro, interessante e que acrescenta valor, que apresenta projetos e pessoas, que introduz temáticas e que o faz de forma original e criativa. O autor está de parabéns pela iniciativa, algo que já fazia muita falta à comunidade de surf portuguesa. Conteúdo físico com elementos culturais, históricos e atuais que tendem a ser negligenciados porque as atenções estão onde estão os holofotes e não onde está a criação, a paixão e o empenho.

Padrões? Regras? Normas? Nem pensar. Tal como o surf, esta obra é livre e desigual. Não é perfeita. Não segue um modelo e a cada página folheada são encontradas diferenças. Saltam-nos à vista, deslumbram-nos, embevecem-nos e deixam-nos ansiosos por mais e mais. Nem tão pouco o papel é igual, pelo que até no toque o leitor tem estímulos. Sentimos a gramagem, observamos o brilho e as cores, interiorizamos o conteúdo.

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From theme to theme, from person to person, from interview to interview the will to know more grows and when we notice we are already past the middle. The interviews always present us someone who had an idea, put it to practice and created something valuable. With this, we feel the urge to research, know more, know better and appreciate the new things in the World of surfing that deserve our total and full attention.

The book is inspiring because the people in it are inspiring. The photographs of Tomás Proença make us travel, through each landscape, each captured moment, each emotion frozen in a frame, we’re taken to that specific place and we witness it. The work of Mister Furious is in such a way different and bold that it takes away our fear of risking betting in our own ideas.

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De temática em temática, de pessoa em pessoa, de entrevista em entrevista a vontade de saber e conhecer mais cresce e quando damos por nós já passámos do meio. As entrevistas apresentam-nos sempre alguém que teve uma ideia, que a pôs em prática e que deu origem a algo valioso. Com isto, a vontade é a de ir pesquisar, saber mais, conhecer melhor e apreciar as coisas novas no Mundo do surf que são merecedoras da nossa toda e completa atenção.

O livro é inspirador porque as pessoas que lá estão são inspiradoras. As fotografias de Tomás Proença fazem-nos viajar, a cada paisagem, a cada momento captado, a cada emoção congelada num frame, somos levados ao local e testemunhamo-lo em pleno. O trabalho de Mister Furious é de tal forma diferente e arrojado que nos tira o medo de arriscar nas nossas próprias ideias.

But there’s more, much more and it must be seen, touched and read with very attention. Because telling you about it isn’t the same. For example, the effect that the talk-biography with Nicolau da Costa makes us stop, lower the speed and the automatisms. These are 35 pages in which the rhythm of the conversation contrasts with the instantaneous feeling of Internet, of the immediacy, anxiety for consumption of information. This is all about pulling you to the “here and now”, to the reading and retaining. The attention to the words and knowledge a person can give you, or that we can use in our favor to feel inspired and be better. And it is in this state of “here and now” that we say confidently that one of our favorite parts is the story of John Magrath.  Inspiration and hope is what we retain. The story presented through the answer to the interview, shows us that life is actually quite simple and that we have a tendency to complicate. The several examples of things that didn’t go as well as expected, but the constant resilience and overcoming towards happiness, makes The Outside Crowd believe that it is possible to achieve the dream. 

From a more technical point of view, the translation from Portuguese to English not only responds to a need of comprehension from those who are not Portuguese, but also gives – and we take – the opportunity to look at more photographs and of letting ourselves go through the game of colors present in the entire book. 

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Mas há mais, muito mais e deve ser visto, tocado e lido com atenção. Porque contado não sabe ao mesmo. Como por exemplo o efeito provocado pela conversa-biografia com Nicolau da Costa que nos obriga a parar, a baixar a velocidade e os automatismos. São 35 páginas em que o ritmo da conversa contrasta com o instantâneo da Internet, do imediato, da ansiedade pelo consumo de informação ou do constante bombardeamento ao qual nos sujeitamos. É o remeter para o aqui e agora, para a leitura e retenção. A atenção para as palavras e ensinamentos que uma pessoa nos pode passar, ou que podemos “usar” a nosso favor para nos inspirarmos e sermos melhores. E é num estado que nos permite viver o “aqui e agora” que afirmamos que o que mais nos marcou foi a história de John Magrath. Inspiração e esperança é o que retiramos. O relato que nos é apresentado nas respostas à entrevista, mostra-nos que a vida é de facto simples e que nós temos uma grande tendência para a complicar. Os vários exemplos de coisas que não correram tão bem como o esperado, mas a constante resiliência e superação em direção à felicidade, faz com que aqui no The Outside Crowd não se desista do sonho e ainda se acredite em alcançá-lo.

De um ponto de vista mais técnico, a tradução de português para inglês não só responde a uma necessidade de compreensão do conteúdo por outros que não portugueses, como nos dá – e nós aproveitamos – a excelente oportunidade de ver mais fotografias e de nos deixarmos levar pelo jogo de cores empregue ao longo de todo o livro.

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Fly Black Bird More Than a Surfboard is a Portuguese piece that we are proud of and that we thank a lot for having had the pleasure of reading. Pedro Falcão, Mauro Motty, Tomás Proença, Nuno Faria, João Neto, Vasco Durão, Bruno Garrudo and Delfim Sardo – yes i tis necessary to mention all of them, because if the author does it, who are we not to do it? – were the perfect team to the creation of something unique, palpable, valuable and essential to the surf culture in Portugal.

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Fly Black Bird More Than a Surfboard é uma obra portuguesa de que temos orgulho e que muito agradecemos ter tido o prazer de ler. Pedro Falcão, Mauro Motty, Tomás Proença, Nuno Faria, João Neto, Vasco Durão, Bruno Garrudo e Delfim Sardo – sim é preciso mencionar todos, porque se o autor o faz, quem somos nós para não o fazer? – foram a equipa perfeita para a criação de algo único, palpável, valioso e indispensável para a cultura de surf em Portugal.